Cap. 12  TEORIAS DA PERSONALIDADE
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
Depois de estudar este captulo, voc dever ser capaz de:
 explicar porque existem tantas teorias da personalidade;
 descrever as idias centrais da Teoria Constitucional de Sheldon;
 caracterizar a Teoria Psicanaltica de Freud quanto aos mtodos de estudo, estrutura e 
dinmica da personalidade, nveis de conscincia, e estgios psicossexuais;
 caracterizar a Teoria Humanista de Rogers referindo-se aos seus conceitos bsicos e  
terapia dela derivada;
 explicar como a Teoria da Aprendizagem concebe a personalidade;
 comparar as teorias estudadas entre si;
 apontar, a respeito de cada teoria estudada, os aspectos que tm sido considerados de 
valor e as crticas que tm recebido.
INTRODUO: TEORIA OU TEORIAS? POR QU?
Existem muitas e diferentes definies de  no entanto, o conceito de personalidade como 
o conjunto de comporta mentos peculiares do indivduo  aceito pela maioria dos 
estudiosos.
Os psiclogos tm, ento, o mesmo conceito de personalidade (maneiras distintivas pelas 
quais a pessoa se comporta), o mesmo objeto de estudo (o comportamento do homem) e, de 
um modo geral, as mesmas metas (descrever, compreender e prever o comportamento).
Por que razo, se assim , os psiclogos produziram tantas e t
diferentes teorias da personalidade?
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Uma teoria  um sistema conceptual bem coordenado que objeti va dar coerncia racional 
a um corpo de leis empricas conhecidas, das quais se podem deduzir teoremas cujos 
valores preditivos podem ser aprovados (Allport apud Cueli e Reill, 1974, p. 15).
Uma teoria da personalidade seria, ento, a organizao cuidadosa do conjunto total de 
conhecimentos sobre o comportamento, suficientemente compreensiva para abranger e 
predizer a conduta humana, ou boa parte dela.
A conduta humana , no entanto, reconhecidamente complexa. Esta parece ser a principal 
razo para a existncia de tantas teorias da personalidade.
O comportamento no  determinado por um nico fator e sim por muitos, e de natureza 
diversa.
Diante de to amplo e complexo campo de investigao, diferentes grupos de estudiosos 
enfatizaram espcies diferentes de observaes, diferentes aspectos do comportamento o 
que, inevitavelmente, se refle tiu em diferentes espcies de teorias da personalidade.
Alm desta, outra razo pode ser o fato dos tericos da personali dade usarem instrumentos 
diversos em seus estudos, diferentes fontes para obter seus dados, o que tambm, se traduz 
em diferentes teorias da personalidade.
Assim, apesar de entenderem personalidade mais ou menos da mesma maneira, os 
estudiosos diferem quanto ao aspecto ou tipo de comportamento enfocado e quanto  forma 
de estud-lo.
Poder-se-ia concluir com Peck e Whitlow (1976, p. 13): no exis te portanto, uma teoria 
da personalidade, no sentido de que uma teo ria abrange todos os aspectos do 
comportamento humano, mas exis tem muitas teorias cuja principal rea de interesse se 
situa no dom nio da personalidade.
Vamos estudar, a seguir, de forma breve, algumas das mais conheci das teorias da 
personalidade.
TEORIA CONSTITUCIONAL DE SHELDON
Sob o ponto de vista histrico, as primeiras tentativas para descre ver a personalidade 
consistiram em classificar os homens em vrias categorias, segundo suas caractersticas 
orgnicas.
Uma teoria deste tipo foi proposta por Hipcrates, aproximadamente no ano de 400 a.C., 
Hipcrates classificou 4 tipos de homens, segundo o humor que existisse em maior 
proporo no corpo do indivduo. Assim, o melanclico (humor predominante: bils negra) 
seria propenso  tristeza, taciturno; o colrico (blis amarela) seria o excitvel e
irascvel, o sangineo (sangue), o ativo e jovial; e o fleumatico (fleuma)
vagaroso e no-emotivo.
Nada disso corresponde aos atuais conhecimentos fisiolgicos, mas serve para ilustrar a 
tentativa de explicar a personalidade a partir de uma base fisiolgica.
Em poca mais recente (1940), foi elaborada por Sheldon uma tcnica para medir as 
variadas propores dos tipos somticos bsicos, don de se originou a TEORIA 
CONSTITUCIONAL.
William Herbert Sheldon nasceu em Warwick, Rhode Island, Esta dos Unidos, a 19 de 
novembro de 1898 e criou-se em uma fazenda. O ambiente rural dos primeiros anos de 
vida e a ntima amizade com seu pai, que era naturalista e criador de animais, tiveram 
influncia duradoura sobre seus valores pessoais e suas idias a respeito do comportamento 
humano (Hall e Lindzey, 1973, p. 379).
Ao procurar estabelecer uma relao entre o comportamento e a compleio fsica, Sheldon 
apoiou-se na convico de que o fentipo (aspecto externo da pessoa)  determinado por 
um processo biolgico hipottico, chamado de morfogenotipo. Medindo o fsico, Sheldon 
buscou avaliar, de forma indireta, o morfogenotipo.
Os dados que obteve com suas pesquisas fizeram-no dividir os tipos corporais em trs 
categorias, cada qual com seu tipo de personalidade, ou temperamento, correspondente.
O quadro 12.1. procura mostrar esta classificao de forma resumi da
TIPO FSICO
ENDOMRFICO:
arredondado. musculatura e ossatura pouco desenvolvidas, atividade predominantemente 
visceral.
MESOMRFICO:
rijo, msculos e ossos bastante desenvolvidos, atltico.
ECTOMRFICO:
geralmente alto, delgado, frgil, ossatura pequena.
TIPO DE
PERSONA LIDADE
VISCEROTNICO:
socivel, aprecia o conforto. boa mesa e bebi- das,  afetuoso,
SOMATOTONICO:
ativo e vigoroso, gosta de exerccio fsico e a- venturas, tem maneiras francas e agressivas,
CEREBROTNICO:
retrado e inibido, co medido, aprecia o trabalho intelectual e  avesso aos contatos sociais.
Quadro 12.1.  Tipologia de Sheldon
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Existiriam raramente, no entanto, os tipos puros. A maioria das pessoas poderia ser 
classificada numa destas categorias como tipo predominante, mas tambm possuiria, em 
menor grau, caractersticas dos demais tipos.
Sheldon, em suas pesquisas, encontrou um alto grau de correlao entre as medidas de 
constituio somtica e a classificao dos indivduos quanto s caractersticas de 
comportamento, apesar de que investigaes posteriores, por outros estudiosos, no 
confirmaram seus resultados.
No h dvidas de que Sheldon fez uma contribuio importante para a Psicologia ao 
mostrar a existncia de algum tipo de relao entre o fsico e a personalidade.
Hoje, no entanto, questiona-se a direo desta relao. Para Sheldon, o fsico determina a 
maneira caracterstica do indivduo se com portar, mas isto no poderia se dar na direo 
inversa? Por exemplo,o fato do somatotnico praticar esportes no seria a causa (em vez do 
efeito) do seu tipo atltico? Ou, ainda, nas palavras de Max e Hillix (1974, p. 511), mais 
logicamente, haver um processo bidirecional cujas inter-relaes exatas ainda no foram 
apuradas?.
TEORIA PSICANALITICA DE FREUD
A teoria Psicanaltica tem em Sigmund Freud seu fundador e maior representante.
De origem judaica, Freud nasceu em 6 de maio de 1856 na cidade de Freiburg que na poca 
pertencia  Austria. Aos quatro anos partiu com sua famlia para Viena, onde passou a 
maior parte de sua vida. Um ano antes de sua morte foi para a Inglaterra, em virtude da 
perseguio aos judeus. L, em 23 de setembro de 1939, com 83 anos, faleceu em 
conseqncia de um cncer na boca, adquirido, provavelmen te, devido ao hbito de fumar 
cerca de 20 charutos por dia.
Em Viena, Freud inicia sua carreira como mdico neurologista. Os problemas psicolgicos, 
no entanto, logo chamam sua ateno e  a eles que dedica seus estudos.
A partir do estudo do comportamento anormal, usando o estudo de caso, Freud constri 
uma sistemtica e bem acabada teoria para ex plicar a personalidade normal e anormal.
Mtodos de Estudo
Como mdico neurologista, inicialmente, Freud usou a hipnose no tratamento de seus 
pacientes, mtodo empregado na poca.
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Durante o sono hipntico, constatou o aparecimento e desapare cimento de sintomas 
histricos tais como paralisias, cegueiras e outros. Freud concluiu que tais fenmenos no 
tinham um comprometimento fsico ou neurolgico como acreditavam os mdicos da 
poca. Ento, Freud foi em busca da origem psquica dos distrbios comportamentais.
Freud observou que, aps o sono hipntico, os pacientes adota vam condutas que lhes eram 
sugeridas quando inconscientes. Dali con cluiu que a conduta humana poderia ser 
influenciada no somente pelos contedos psquicos conscientes mas tambm 
inconscientes. Com esta descoberta, Freud mudou o centro de interesse da psicologia da 
poca, do consciente para o inconsciente.
Mas apesar de aprender muitas coisas a respeito dos problemas e dificuldades dos 
pacientes, atravs da hipnose, Freud concluiu que o que aprendia aparentemente no 
ajudava muito os pacientes. Mesmo que o terapeuta tivesse uma idia clara dos contedos 
inconscientes que perturbavam o paciente, este conhecimento no ajudava o pacien te.
Aos poucos, Freud criou a tcnica que se tornou o processo padronizado da psicanlise: o 
mtodo catrtico ou de associao livre. Em que consiste este mtodo? O paciente recebe 
instrues para dizer tudo o que lhe ocorrer no momento, mesmo as idias que lhe parecem 
repugnantes, insignificantes ou portadoras de ansiedade, sem tentar dar lgica ou coerncia 
 seqncia de idias.
O papel do terapeuta  aparentemente passivo, porque ele apenas ouve e estimula com 
perguntas quando o paciente se cala, mas no interrompe se ele est falando. Para facilitar o 
fluxo verbal desinibido e evitar distraes, o paciente fica deitado num div e o local  
silencio so.
Com o uso deste procedimento, Freud notou o desaparecimento de muitos sintomas de 
desajustamento. Seria a cura pela fala. Este procedimento permitiu a Freud concluir 
tambm que cada ocorrncia est relacionada, de alguma forma, a outra anterior e assim por 
diante, de forma significativa.
Tudo o que o paciente diz est relacionado com o que disse anteriormente, de modo que a 
anlise atenta do psicanalista pode identificar a significao inconsciente da sua 
verbalizao. Alm disso, as associaes levam, ordinariamente, s ocorrncias da primeira 
infncia.
A existncia do inconsciente constitui um dos pilares bsicos da teoria e prtica 
psicanalticas, esta foi uma descoberta original. Antes do nascimento da psicanlise 
acreditava-se na completa equivalncia entre o psiquismo e a conscincia, o nico objeto da 
psicologia era a
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conscincia. Para Freud no existe equivalncia entre psiquismo e cons cincia; apenas se 
pode falar do psiquismo inconsciente. Portanto, o inconsciente  o verdadeiro objeto da 
investigao psicolgica. Assim sendo, a PSICANALISE converteu-se numa nova cincia, 
pois ela rene dois elementos bsicos: um novo objeto para a investigao  O 
INCONSCIENTE e um mtodo apropriado para a levar a cabo  O METO DO DA 
ASSOCIAO LIVRE.
A anlise dos sonhos e o estudo dos atos falhos tambm podem ser considerados mtodos 
da teoria psicanaltica, constituindo-se em rica fonte de informaes sobre a dinmica da 
personalidade, especialmente sobre os contedos inconscientes reprimidos.
Vejamos o que o prprio Freud nos diz: Trabalhar sobre as idias que ocorrem aos 
pacientes, quando se submetem  regra principal da psicanlise, no  o nosso nico 
mtodo tcnico de descobrir o inconsciente. Dois outros procedimentos atendem o mesmo 
propsito: a interpretao dos sonhos dos pacientes e a explorao de suas aes falhas ou 
casuais... (Freud in Stafford-Clark, 1978, p. 33).
Estrutura e Dinmica da Personalidade
A personalidade  composta por trs grandes sistemas: o id, o ego, e o superego.
Id  O Id  a nica fonte de toda energia psquica (libido). E de origem orgnica e 
hereditria. Apresenta a forma de instintos incons cientes que impulsionam o organismo. 
H dois tipos de instintos: de vida, tais como fome, sede e sexo; e os de morte, que 
apresentam a for ma de agresso.
O id no tolera a tenso. Se o nvel de tenso  elevado, age no sen tido de descarreg-la. O 
princpio de reduo de tenso, pela qual o id opera chama-se princpio do prazer. O id, no 
entanto, no conhece a realidade objetiva, por isso no pode satisfazer as necessidades do 
or ganismo. Surge, ento, o ego.
Ego Existe porque so necessrias transaes apropriadas com o mundo objetivo da 
realidade, O ego opera pelo princpio da realidade.
Para realizar suas funes, isto , procurar satisfazer objetivamente as necessidades do id, o 
ego tem o controle de todas as funes cogni tivas como perceber, pensar, planejar e 
decidir.
Superego E o representante interno das normas e valores sociais que foram transmitidas 
pelos pais atravs do sistema de castigos e re compensas imposto  criana.
Com a formao do superego, o controle dos pais  substitudo pelo autocontrole. O 
superego nos pune (atravs do remorso, do senti-
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mento de culpa) quando fazemos algo de errado, e tambm nos re compensa (sentimos 
satisfao, orgulho) quando fazemos algo meritrio.
As principais funes do superego so: inibir os impulsos do id (principalmente os de 
natureza agressiva e sexual) e lutar pela perfeio.
De uma maneira geral, o id pode ser considerado o componente biolgico da personalidade, 
o ego, o componente psicolgico e o superego o componente social.
Os trs sistemas da personalidade no devem ser considerados co mo manequins 
independentes que governam a personalidade.
Cada um deles tem suas funes prprias, seus princpios, seus dinamismos, mas atuam um 
sobre o outro de forma to estreita que  impossvel separar os seus efeitos.
O comportamento do adulto normal  o resultado da interao recproca dos trs sistemas, 
que, em geral, no colidem e nem tm objetivos diversos.
Nveis de Conscincia
Um contedo mental qualquer pode estar, para Freud, em um dos trs nveis de 
conscincia: consciente, pr-consciente e inconsciente.
O consciente inclui tudo aquilo de que estamos cientes num deter minado momento.
O pr-consciente (ou sub-consciente) se constitui nas memrias que podem se tornar 
acessveis a qualquer momento, como, por exemplo, o que voc fez ontem, o teorema de 
Pitgoras, o seu endereo anterior, etc. E uma espcie de depsito de lembranas a 
disposio quando necessrias.
No inconsciente esto elementos instintivos e material reprimido, inacessveis  conscincia 
e que podem vir  tona num sonho, num ato falho ou pelo mtodo da associao livre.
Existe relao entre os trs sistemas da personalidade e os trs nveis de conscincia, como 
mostra a figura 12.1.
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Consciente
Pr-consciente Inconsciente
Fig. 12. 1.  Nveis de Conscincia e Sistemas da Personalidade na Teoria Psicanaltica.
E a clssica comparao do aparelho mental com um iceberg, onde a parte acima do nvel 
da gua representaria o consciente; a regio que ora est submersa e ora no, o pr-
consciente e, toda a parte submersa, a maior poro da vida mental, o inconsciente.
O Id  totalmente inconsciente, o ego  tanto consciente quanto pr-consciente e o superego 
est presente nos trs nveis, j que no temos conscincia de todas as regras sociais 
internalizadas.
Desenvolvimento Psicossexual
A teoria de Freud  essencialmente desenvolvimentista. A formao da personalidade est 
relacionada ao processo de desenvolvimento do instinto sexual, processo que se inicia logo 
no primeiro ano de vida.
Freud supunha que as diferenas individuais no ser humano esto marcadas pelo 
desenvolvimento destes estdios e acreditava numa vida seqncial dos mesmos.
Na fase oral (primeiro ano de vida) a criana satisfaz sua necessidade sexual pela boca. 
Obtm o prazer atravs da suco.
Cabe, aqui, uma explicao do termo sexual, entendido por Freud com um sentido bem 
mais amplo do que o usual. A funo biolgica da sexualidade  a procriao e a 
preservao da espcie, mas a motivao para os comportamentos que preservam a espcie 
 o prazer do ato. Esto includos nestes atos: a relao sexual na idade adulta, o prprio ato 
de alimentar-se, de sugar na infncia e muitos outros como os que representam o amor dos 
pais pelos filhos.
Na fase oral, portanto, as atividades que se desenrolam em torno
da boca so as que proporcionam mais prazer. No caso da criana no resolver 
adequadamente os problemas desta fase, ou seja, no experimentar a satisfao adequada, 
poder tornar-se fixada nas atividades orais e procurar, durante o resto da vida, obter prazer 
atravs da boca vindo a ser, por exemplo, um fumante inveterado, um guloso ou um 
tagarela.
Na fase anal (segundo e terceiro ano de vida), a criana experimenta satisfao em expulsar 
as fezes ou em ret-las. Uma fixao nesta fase pode explicar traos da personalidade 
adulta como obsessividade com limpeza e arrumao, avareza ou outros.
Na fase flica (do terceiro ao quinto ano de vida), a criana descobre seu sexo. Experimenta 
prazer ao manusear os rgos genitais.
Este estgio  importante porque  o perodo em que Freud situa o Complexo de Edipo. A 
criana ama o genitor do sexo oposto, sente cimes do genitor do mesmo sexo porque este 
est lhe roubando o amor daquele. Ao mesmo tempo, tais sentimentos trazem ansiedade. 
Para resolver o conflito, aliviar a ansiedade, a criana identifica-se com o genitor do mesmo 
sexo, incorporando as caractersticas do papel tpico masculino ou feminino e os valores 
morais sociais. A no resoluo do conflito edipiano  considerada como a causa de grande 
parte das neuroses. O homossexualismo pode ter, tambm, suas origens nesta fase.
A fase de latncia (do quinto ao dcimo se ano de vida) cor responde, em geral, aos anos de 
escola, nos quais h um antagonismo tpico entre meninos e meninas. H uma supresso 
(resultado da represso) dos impulsos sexuais, a construo do pensamento lgico e o 
controle da vida psquica pelo princpio da realidade.
A fase genital (do dcimo segundo ano em diante) surge quando o adolescente passa a 
voltar-se para as outras pessoas e coisas, deixando de ser, para si mesmo, o objeto de maior 
interesse. E o incio e a continuao das ligaes heterossexuais, do interesse pelas 
atividades humanas adultas, do assumir o seu papel no mundo social.
Consideraes a Respeito da Teoria Psicanaltica
E preciso levar em considerao, ao se apreciar a teoria psicanaltica, as caractersticas da 
poca e da sociedade em que Freud viveu. Tratava-se de uma sociedade puritana, o assunto 
sexo no era sequer mencionado. E natural que grande nmero de pacientes apresentasse 
distrbios de comportamento com esta origem: a represso de contedos de natureza sexual 
e  tambm natural que Freud conclusse, a partir da, da grande importncia do sexo para a 
conduta humana.
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razovel supor que se Freud tivesse vivido em outra poca ou outra sociedade em que o 
sexo fosse um assunto trivial e uma atividade no reprimida, o sexo no teria tido esta 
nfase no conjunto total da sua teoria.
A Teoria Psicanaltica no ficou acabada com as descobertas de Freud. Seus discpulos 
continuaram seus estudos e hoje existem diversas correntes dentro da teoria. De uma 
maneira geral, as novas tendncias colocam maior nfase nos determinantes no instintivos 
da perso nalidade, diminuiu-se, principalmente a importncia do instinto de morte. Tambm 
se tem procurado fazer estudos experimentais das pro posies psicanalticas o que, sem 
dvida, no  tarefa fcil.
Apesar de se reconhecer hoje, a inadequao de algumas idias freu dianas, outras tm sido 
cada vez mais corroborabas. Entre elas, pode-se considerar valiosas as descobertas de Freud 
a respeito da possibilidade de uma determinao inconsciente para as aes e sentimentos e 
da im portncia das primeiras experincias para um comportamento adulto ajustado.
Das descobertas de Freud surgem, assim, importantes conseqn cias para a educao 
infantil, tais como: maior assistncia  criana, maior indulgncia e permissividade para 
com seus comportamentos em geral.
As crticas mais severas que a teoria tem recebido se referem, prin cipalmente, aos 
procedimentos empricos pelos quais Freud validava suas hipteses. Ele tomava notas aps 
as sesses com seus pacientes, o que, talvez, o fizesse incorrer em falhas e omisses. Alm 
disso, seus relatos mostram resultados finais, sem os dados originais, o que fl permite 
analisar a validade da concluso e muito menos, reprodu zir o estudo.
A teoria, como um todo,  ainda criticada por no permitir predi zer, apenas explicar a 
posteriori, determinados comportamentos.
TEORIA HUMANISTA DE ROGERS
CarI Rogers, fundador do aconselhamento no diretivo ou acon selhamento centrado no 
cliente, nasceu em Oak Park, Illinois, a 8 de janeiro de 1902. Criou-se numa fazenda, num 
lar muito religioso. Aps sua graduao como bacharel da Universidade de Wisconsin, em 
1924, matriculou-se no Union Theological Seminary, cidade de Nova lorque. Assistindo 
alguns cursos de psicologia na Universidade de Columbia, resolveu abandonar seus estudos 
religiosos e tornar-se psiclogo clnico. Aps obter o Ph. D., em 1931, desta universidade, 
Rogers
trabalhou numa clnica de aconselhamento em Rochester durante no ve anos. A nomeao 
de professor de psicologia no Ohio State Univer sity, em 1940, deu-lhe possibilidades para 
desenvolver suas idias so bre aconselhamento em colaborao com inmeros 
universitrios gra duados. De l, transferiu-se para o Centro de Aconselhamento da 
Universidade de Chicago e, a seguir, para a Universidade de Wisconsin, onde realizou 
trabalhos importantes referentes  psicoterapia com es quizofrnicos. Atualmente Rogers 
trabalha no Centro de Estudos da Pessoa na Califrnia.
Conceitos Bsicos
O elemento central na teoria de Rogers  o conceito de eu (self). A importncia do eu 
foi percebida por Rogers atravs de seu experincia pessoal com clientes em psicoterapia. 
Os problemas dos clientes parecem decorrer freqentemente de incompatibilidade ou in 
congruncias na maneira como se vem.
O eu na teoria de Rogers  o padro organizado de percepes, sentimentos, atitudes e 
valores que o indivduo acredita ser exclusiva- mente seu. o conjunto de caractersticas que 
definem eu e a mim. Assim, o eu e o componente central da experincia total do 
indivduo (PeckeWhitlow, 1976, p. 40-1).
O conceito de eu se refere, ento, de maneira geral,  auto-imagem ou a uma 
conscientizao de si mesmo.
O conceito de eu ideal (ideal self)  importante, tambm, na teoria rogeriana. Significa a 
pessoa tal como ela gostaria de ser. Os indivduos bem ajustados seriam aqueles que 
possuem uma correspondncia muito estreita entre o eu e o eu ideal.
O motivo bsico da atividade do organismo  a realizao, manuteno e o enriquecimento 
do eu.
Rogers acredita que os seres humanos tm uma tendncia natural para desenvolver todas as 
suas capacidades. o que chama de tendncia para a realizao, o esforo no sentido da 
congruncia entre o eu e a experincia.
Quando existe harmonia e consistncia entre o eu e as experincias do indivduo, este se 
mantm congruente.
Quando, no entanto, se verifica uma discrepncia entre o eu e a experincia concreta, o 
indivduo fica em estado de incongruncia, o qual redunda em tenso e desajuste. Por 
exemplo, uma pessoa pode se perceber como digna de estima e amigvel e, no entanto, 
encontrar muitas expresses de hostilidade, por parte dos outros.
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Consideraes sobre a Teoria Humanista
A maioria das experincias s conscientemente percebidas pelo indivduo, mas tambm se 
admite que podero permanecer inconscientes as experincias excessivamente ameaadoras 
para o conceito de eu do indivduo.
 medida que mais experincias deixam de ser conscientizadas, o eu  perde contado com 
a realidade e o indivduo torna-se cada vez mais desajustado.
A necessidade de ateno, aprovao, amor, simpatia, respeito das outras pessoas  uma das 
necessidades mais importantes do ser humano e pode se tornar to poderosa, segundo 
Rogers, que chegue a suplantar as necessidades biolgicas mais fundamentais do 
organismo.
Terapia Centrada no Cliente
Em muitos aspectos, a teoria de Rogers  uma teoria psicoterpica. Ele procurou 
estabelecer claramente as condies que seriam necess rias para produzir uma mudana de 
personalidade.
Quando o indivduo se encontra em estado de incongruncia, est vulnervel  ansiedade,  
depresso e estas levam a comportamentos defensivos e no adaptativos.
O terapeuta, para auxili-lo, precisa oferecer-lhe ateno positiva incondicional, isto , 
aceit-lo independentemente dos seus atos e sen timentos e, tambm, compreenso 
emptica. Empatia  a percepo acurada dos pensamentos e sentimentos de outra pessoas, 
no caso, do cliente.
O indivduo, nesta terapia,  considerado o melhor especialista em si mesmo e seus 
enunciados e depoimentos a seu respeito so a mat ria-prima da teraputica.
A principal funo do terapeuta  refletir de forma acurada as emo es do cliente, para que 
este possa reconhecer e compreender melhor seus prprios sentimentos.
O teraputa no deve apresentar sugestes, aprovar ou censurar o cliente, isto , o seu papel 
 no-diretivo.
Assim, a terapia no-diretiva cria uma situao que favorece a acei tao, pelo cliente, de 
suas experincias, porque o eu no  ameaa do em momento algum e as informaes 
sobre as experincias nunca so rejeitadas ou menosprezadas pelo terapeuta. Em outras 
palavras, a relao teraputica favorece a congruncia entre o seu eu real e o seu eu 
ideal, tornando-o menos defensivo e ansioso.
A teoria humanista recebe esta denominao justamente pelo va lor emprestado  pessoa 
como ser humano. Enfatiza noes como as de livre-arbtrio, responsabilidade e escolha.
criticada, no entanto, por se apoiar excessivamente nos proces sos cogniticos conscientes, 
com relativo desprezo pelos aspectos incons cientes do comportamento.
Alm disso, as pessoas raramente conhecem toda a verdade a res peito de si mesmas, por 
isso as autodescries nas quais se baseia o es tudioso desta teoria, so passveis de 
distores, falhas e omisses.
Segundo Peck e Witlow (1976, p. 48) o principal mrito da abor dagem de Rogers do 
conceito de eu foi sua nfase na avaliao e pesquisa. A teoria s  elaborada num ritmo 
compatvel com o cresci mento dos dados experimentais.
A PERSONALIDADE E A TEORIA DA APRENDIZAGEM
Esta abordagem terica supe que o estudo da personalidade  uma parte do campo geral 
do estudo sobre a aprendizagem.
Uma vez que a grande maioria dos comportamentos do ho mem  aprendida, uma 
compreenso fundamental da personalidade de corre, antes de tudo, de nossas observaes 
acerca de como e sob que condies esses comportamentos so adquiridos (Lundin, 1974, 
p.
31)
Assim, os tipos particulares de comportamento adquiridos duran te o nosso 
desenvolvimento, constituem o nosso comportamento pe culiar e formam a nossa prpria 
personalidade.
Est claro que esta teoria despreza, em grande parte, as variveis genticas da 
personalidade, explicando a conduta em termos de efeitos ambientais.
Skinner  uma figura exponencial dessa corrente apesar de no ter dirigido sua ateno, de 
modo especfico, para o campo da personali dade. No entanto, seus estudos sobre o 
condicionamento operante desempenharam um papel central na teoria condutista da 
personalidade. Os conceitos de reforo, extino e generalizao (estudados no cap. 8) so 
bsicos para explicar a aquisio dos comportamentos prprios do indivduo.
Outro estudioso que poderia ser includo nesta abordagem  Ban dura, com suas pesquisas 
sobre aprendizagem observacional (tambm j referido no cap. 8).
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Em certos aspectos, h uma semelhana entre as teorias da aprendizagem e psicanaltica. 
Ambas s teorias desenvolvimentistas, destacam a importncia das primeiras experincias na 
formao da personalidade e postulam que a personalidade  determinada a partir das 
experincias passadas. A prpria noo freudiana de internalizao poderia ser,
muitas vezes, substitu (da pela palavra aprendizagem
Na verdade, no s na Teoria Psicanal(tjca mas em praticamente to das as outras teorias, h 
a noo da aprendizagem como um dos prin cipais determinantes da personalidade, embora 
no coloquem toda a nfase neste fator, como o faz a teoria de Skinner e de outros tericos 
da aprendizagem.
QUESTES
1. Porque existem vrias teorias da personalidade?
2. Citar e caracterizar os trs tipos corporais e os trs temperamentos correspon dentes, 
conforme a Teoria Constitucional de Sheldon.
3. Qual a questo que se coloca, hoje, a respeito da Teoria de Sheldon?
4. Apontar os diferentes mtodos de estudo que levaram  formulao da Teoria 
Psicanaltica, explicando mais detalhadamente o da associao livre.
5. Nomear e caracterizar os trs sistemas da personalidade segundo a concepo 
psicanaltica e referir-se s relaes que estabelecem entre si e com os trs n( veis de 
conscincia.
6. Descrever os estgios psicossexuais estabelecidos pela Teoria Psicanaltica e re ferir-se  
sua importncia para o posterior comportamento adulto normal.
7. Considerar a respeito da nfase da teoria de Freud na motivao sexual huma
na.
8. Em que consiste o eu rogeriano?
9. Qual o motivo bsico da atividade do organismo, segundo Rogers?
10. De acordo com Rogers, donde provm o desajustamento da personalidade?
11. Em que consiste a Terapia Centrada no Cliente?
12. Como a Teoria da Aprendizagem explica a formao da personalidade?
13. Quais os aspectos em que se poderia estabelecer semelhanas e/ou diferenas entre as 
teorias estudadas? Explicar a resposta formulada.
14. A respeito de cada teoria estudada apontar aspectos positivos e crticas que lhes tm 
sido dirigidas.
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